Joseph falando de Ary Fontoura

Ary FontouraDisseram que Ary está velho… muito velho!

Pois é, Ary está velho dessa política velha, dessa velha forma que os políticos têm de governar. Ary está velho da falta de Educação, da falta de Cultura, da falta de Saúde, da falta de Segurança, da falta de Políticas Públicas eficazes, da inversão de valores, da falta de honestidade.

Acredito que, assim como eu, Ary não se orgulhe das UPPs instaladas nas Comunidades do Rio de Janeiro. Unidades Pacificadoras não deveriam ser orgulho para ninguém. Orgulho seria se o povo tivesse moradia, saneamento básico, segurança em seus lares, tivesse água potável em abundância, energia elétrica barata, transporte público descente, trabalho, seguridade social e dignidade. Da mesma forma que muitos programas sociais, como o ‘Bolsa Família’, não deveriam ser motivo de orgulho para o povo, muito menos assistencialismo permanente. É um absurdo o cidadão ter que se inscrever num programa para ser assistido.

A própria Constituinte garante os princípios fundamentais e os direitos do cidadão. Então? Não lhe parece uma inversão de valores? Já não somos tributados e pagamos impostos para que tudo isso esteja disponível como se nenhum favor houvesse?
Ary está velho, mas é sabido que a velhice chegará para todos nós, mais cedo ou mais tarde. A questão é como chegaremos lá! Em que condição e em qual cenário? Será que num futuro a instituição previdenciária garantirá o nosso direito à aposentadoria depois dos longos anos de contribuição? Como será o Brasil dos nossos filhos?

Ary está velho, com o rosto cheio das rugas que o tempo lhe deu, e com elas vieram a sabedoria de uma vida. Para quem não teve oportunidade de ler uma de suas biografias, gostaria de ressaltar que Ary chegou à cidade do Rio de Janeiro no ano de 1964, no exato dia em que o exército tomou o poder com o Golpe Militar. Tenho certeza de que nem ele, nem a sociedade desejam que isso se repita. A vida na ditadura não foi fácil, mas foi ainda mais dura para um artista. Ary, ainda jovem, abandonou o último ano da faculdade de Direito em Curitiba e veio tentar a carreira de ator no Rio. E, com muita dignidade, foi lavar pratos num restaurante para garantir a própria sobrevivência. Só um tempo depois veio a Rádio Nacional, o Teatro de Revista e, por fim, a televisão, veículo que o projetou mundialmente e no qual, deduzo, sente-se feliz em trabalhar.

Ary está velho e não precisa da minha defesa, mas fiz questão de escrever e pedir que ele compartilhasse as minhas palavras na timeline dele, depois de ter sido chamado de “velho” numa de suas últimas publicações. Veja só… Ary, um cara de 81 anos, tem uma página no Facebook. Presumo o contrário, Ary é um cara moderno, conectado, e usa esta ferramenta de forma consciente para disseminar arte e propagar ideias. E, por mais livre e democrática que a rede seja, o espaço é exclusivamente dele, de forma que deve prevalecer à vontade e o discurso dele.
No passado, como Ary e a maioria dos brasileiros, também votei no Lula, depois na Dilma, mas por fim desacreditei no PT e me senti traído.

Hoje, nem ele, nem eu, nem 48% dos brasileiros apoiam o atual Governo. Acredito que a grande maioria dos brasileiros não apoia, ou não deveria apoiar qualquer governo que esteja envolvido em corrupção, pelo menos até ter consciência disso. Ninguém mais aguentava ouvir falar do mensalão e de seus condenados impunes fora da cadeia. Aliás, sistema prisional também não deveria ser motivo de orgulho para ninguém. Orgulho seria se em nossa sociedade não houvesse ladrão. Ou será que já se esqueceram do mensalão? E ainda muito se falará na Petrobras. A verdade é que Ary e muitos de nós éramos a favor da mudança, contrários ao PT. Não sabíamos se a oposição seria a solução para o nosso país, mas, ainda assim, queríamos acreditar que uma das saídas seria a alternância do poder.

Quero dizer, ainda, que Ary é um cara muito jovem que, assim como eu e todo o brasileiro, precisa acreditar num Brasil melhor. Não pode ser diferente! Velhas estão às Políticas do nosso país que pretende o desenvolvimento. Mas, se a vontade da maioria é a expressão maior da democracia, pois que assim seja. Só não vale ir às ruas reclamar por 20 centavos, incendiar ônibus, depredar patrimônios, e depois se acovardar! E diga-se: baderneiros e vândalos são os maiores covardes deste país.

Que nos próximos anos possamos ver as boas mudanças. Que o alimento esteja na mesa do povo e que o povo esteja bem longe da miséria e da fome. Que a Educação seja prioridade; o conhecimento desenvolve o raciocínio, e não torna o sujeito alienado na compreensão de um texto, dos fatos; que nossos jovens sejam diplomados. Que tenhamos médicos e hospitais equipados. Que tenhamos segurança no espaço público e principalmente dentro das nossas casas. E que, fundamentalmente, tenhamos emprego e vontade de trabalhar. E que isso não seja apenas utopia!

Para concluir, sou brasileiro, jornalista, e estou tendo a honra de ter um texto meu encenado no teatro pelo Ary. No campo das Artes e da Cultura, pouco se falou durante a campanha, contudo, é preciso avançar. A Cultura liberta o povo e leva-o a pensar. E acrescento que não sou a favor da meia-entrada, mas sim que o ingresso às salas de cinema, de exposições e de espetáculos, seja acessível para todos nós; que os ingressos sejam baratos, e que o público esteja presente, de forma que seus direitos estejam garantidos, sem que para isso precise de favores ou de doutrina de assistencialismo.
Joseph Meyer

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