Entre “coxinhas” e “pão com mortadela”

ou … entre a foice e o martelo

Avenida Paulista 15.11.14

Avenida Paulista 15.11.14 de Movimento Queromedefender

O PT conseguiu! Conseguiu ganhar? Nao, 1% não é ganhar! Conseguiu tomar o poder? Não, governar com Temer, Sarney e Collor é perpetuar perversidade! Conseguiu se destacar? Sim, nas coisas ruins! O que o PT conseguiu foi dividir um grande País, dividir norte do sul, dividir ricos e pobres, dividir trabalhadores e carentes, dividir brancos e negros, dividir Esperança e Liberdade.

Eu amo o Brasil, tenho amigos e afetos aqui. O Brasil se encontra hoje numa situação a meu ver preocupante, com uma rejeição muito forte do atual governo e com a população que, com razão, desce às ruas para demonstrar sua revolta. Acho que estes acontecimentos, assim como as “diretas já” e “Fora Collor” dos caras-pintadas so’ podem ter sucesso graças à coesão nacional, ao respeito das diferentes opiniões e uma forte participação unitária e democrática.

Neste sentido me alegra o tweet do Aécio Neves em 14 de novembro:

@AecioNeves

demonstrando calma, responsabilidade e respeito com as regras do jogo democrático. O que me inquieta, por outro lado, são os apelos às Forças Armadas, ou pior ainda ao Big Brother americano para intervir em assuntos nacionais (como se jà não tivesse interferindo o suficiente!)

A censura durante os escuros anos de ditadura no Brasil, ou a jovem idade de muitas cidadãs e muitos cidadões brasileiros talvez não propiciem uma visão histórica abrangente das temáticas politicas que teremos de enfrentar num próximo futuro. Eis um contributo “de fora”.

A História ensina

maio 1968Antes de mais nada vou dizer que sempre fui de esquerda, lutando em favor do Socialismo, da Democracia e da Liberdade, pelo menos desde maio de 1968. Quando a gente descia nas ruas da Europa para exigir mudanças radicais. Nossos ídolos eram Herbert Marcuse, Erich Fromm, Martin Luther King (assassinado em 1968, assim como Robert Kennedy) o Mahatma Gandhi, Mao Tse Tung e Che Guevara. Com um misto de anarquismo bakuniano, maoismo, pacifismo, feminismo, ecologismo e psicodelia flower power.

Éramos principalmente estudantes universitários, de diferente origem social, prevalentemente da burguesia e classe média, mas também de extração operária e rural. Contestavamos a família patriarcal, a sociedade opressiva e o poder econômico injusto. As leituras preferidas eram “On the road” de Jack Kerouac, o livreto vermelho de Mao, as músicas de Joan Baez e John Lennon. Nossa palavra de ordem era “A fantasia no Poder!”

Eram anos em que na Europa ainda imperavam déspotas como Salazar em Portugal, o generalíssimo Franco na Espanha, Honecker – que construiu o muro de Berlim em 1961 – na Alemanha Oriental e, em 1967, o golpe dos coronéis na Grécia. Os anos em que França e Grã Bretanha ainda mantinham colónias. Os anos da guerra no Vietnam, das ditaduras sudamericanas.

Na União Soviética de Leonid Breznev – que permaneceu no poder até 1982 – após um período de leve abertura (sob Kruscev), “o modelo repressivo stalinista, depurado de seus extremos terroristas, voltou em auge. Cada tentativa reformista foi bloqueada, cada tentativa de democratização andou frustrada. A nomenklatura de partido reafirmava em modo autoritário e opressivo seus direitos” (Loris Marcucci, Universo russo-sovietico). Eram os anos das viagens “de estudo” (Internacional Socialista) na União Soviética por parte de dirigentes dos partidos comunistas europeus.

Eram os anos da guerra fria, onde os Estados Unidos mantinham (e ainda mantém com a Otan!) bases militares espalhadas na Alemanha, Itália, Holanda e “conselheiros” e financiadores infiltrados na cúpola dos demais grupos de poder. Todos sabemos (e deveríamos lembrar) das “cover actions” dos Estados Unidos que sustentavam qualquer ação anticomunista, incluindo golpes declaradamente antidemocráticos, como no Chile, na Argentina, no Brasil e na Grécia.

Por outro lado, politicamente os anos 60 viram na Europa a formação de coalições reformistas entre socialistas e democrático-cristãos na Itália e na Alemanha. Na Grã Bretanha os laburistas voltaram ao governo com Harold Wilson, que completou a retirada das colônias e aprovou uma legislação sobre direitos civis (abolição da pena de morte, legalização do aborto, lei sobre o divórcio).

O sonho acabou

Ernesto Guevara de la Serna “el Che” (14.6.1929 – 9.10.1967) era um médico argentino, revolucionário que atuou na revolução cubana. Enviado por Fidel Castro na Bolivia para “exportar” a revolução naquele país, abandonado pelos companheiros e muito mal equipado, foi morto pelas forças armadas do ditador Barriento apoiadas por unidades da CIA. Dariel Alarcón Ramírez «Benigno», ex guerrilheiro, companheiro do Che na Bolívia, denuncia porém um “complô dos quais foram responsáveis Fidel Castro e a União Soviética.

Praga

Capa do jornal comunista l’Unità

Em ’68 Alexander Dubcek, secretàrio do PC da Checoslovàquia, tentou instaurar um “socialismo da face humana” com pluralismo econômico e politico, liberdade de imprensa e de opinião. Moscow não gostou e invadiu o País com o exército do Pacto de Varsóvia. Dubcek foi desautorizado e levado para Moscow. Este fato causou espanto até em comunistas e socialistas ocidentais.

A partir de 1969/70 na Itália e na Alemanha os ânimos se acirraram: partes do establishment de direita favoreceram e encobriram atos de terrorismo fascista, com atentados e muitas mortes. No atentado a bomba da Piazza Fontana a Milão, a polícia acusou – injustamente – o anarquista Pinelli, que ainda “foi suicidado” jogado duma janela da central policial. Como reação uma pequena parte da a esquerda organizou-se em grupos terroristas que declaravam “usar a luta armada para favorecer a queda do sistema capitalista e do estado burguês” tais como as BR (Brigate Rosse), responsabilizadas pela controvertida morte em 1978 do secretàrio DC Aldo Moro, e a alemã RAF (Rote Armee Fraktion) culpada do assassinado de Hanns-Martin Schleyer e do sequestro de um avião da Lufthansa. Estes extremistas marxistas-leninistas contestavam, combatiam e matavam até sindicalistas e os tradicionais partidos da esquerda.

No Brasil o nome de Cesare Battisti foi manchete por um certo tempo. Ele està sendo procurado pelo governo italiano como foragido condenado à prisão perpétua por 4 assassinatos enquanto membro do PAC (Proletari armati per il comunismo), outro sanguinário grupo terrorista. Agora ele està soltinho (Lula) da Silva, dando aula (novembro 2013) na Universidade de Florianópolis …

Os regimes marxistas-leninistas demonstram descaradamente, além da falta de democracia e liberdades essenciais, seu ditatorial nepotismo em estados como Cuba onde a dinastia castrista se perpetua desde 1959; na Síria dos Assad, que destroem o próprio país para não largar do poder; a triste Coréia do Norte e a poderosa China, onde os conceitos de liberdade, direitos humanos, ambiente e justiça são meras palavras estampadas no papel. Sem citar a Libia de Gheddafi, o Kazakistan e outros satélites da ex União Soviética. Todos “amiguinhos” do bolivarismo chavista. Chamam de “ditadura do proletariado” …

Isto não é socialismo

massacre de Tien An Men

O massacre da Praça Tien An Men

O comunismo demonstrou toda sua incoerente dureza em inúmeras páginas da história, fora as barbaridades da época stalinista, a repressão da Praça Tien An Men quando, em 1989, estudantes, intelectuais e operários que demonstravam pacificamente foram duramente reprimidos com tanques de guerra, mortos ou encarcerados, foi o índice de quanto os respeitos constitucionais que nos conhecemos tenham valor igual zero!

Em Cuba falta leite, carne, eletricidade, transporte e liberdade de comunicação. Pelos dados do regime, somente 25% da população tem acesso à Internet: Yoani Sanchez a chama “the Island of the disconnected.” Mas na realidade somente um 5% tem como acessar a internet aberta, são oficiais do governo, jornalistas aprovados pelo regime, médicos e alguns engenheiros. Para o restante da população tem internet cafés onde una hora de conexão custa um terço do salário (6 a 10 US$). Uma fortuna para o cidadão cubano.
Assiste este vídeo!

A União Soviética implodiu e desmoronou após a perestrojka de Gorbatchev, oitavo e último leader soviético, secretàrio do PC até sua dissolução em 1991. O muro de Berlim, oficialmente chamado de “Barreira de proteção antifascista” (Antifaschistischer Schutzwall), construído em 1961 foi derrubado em 1989, com Gorbatchev desmantelando o obsoleto e corrupto apparatus soviético. Infelizmente, um ex-oficial da KGB, tal de Putin, tomou e poder e continua com este doente sistema ditatorial.

A gente NÃO merece isto!

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