correntão

O “correntão” e o preço do feijão

Em entrevista, o assessor técnico de Cereais, Fibras e Oleoginosas da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), Alan Malinski, explica que o problema climático é o principal causador da queda na produção de feijão no Brasil, o que traz como reflexo o aumento dos preços, segundo a EBC.

Maurício Andrés Ribeiro – Autor de “Ecologizar” e de “Meio Ambiente & Evolução Humana”, afirma: «A contabilidade econômica que externaliza custos e internaliza benefícios pode não ser sustentável e cada vez será menos confiável e benéfica para os investidores, quando tiverem que pagar pelos prejuízos sociais, culturais, econômicos e ambientais provocados por desastres.» e …

Quem se descuidou, foi negligente, incompetente, ganancioso e sem visão de longo prazo, paga pelos prejuízos sociais, culturais e ambientais que causou. (Maurício Andrés Ribeiro)

Neste odierno Brasil onde assunto de atualidade são somente as Olimpíadas – cuja mensagem na abertura, ironicamente, foi um pedido ao mundo pela Preservação Ambiental – além da novela do impeachment, a saga da família Cunha e as façanhas da Lava-Jato, causam grande preocupação dois fatos aparentemente ignorados: a nomeação do Ministro da Agricoltura, o matogrossense Blairo Maggi, quase concomitante com a autorização pela Assembleia Legislativa do Mato Grosso, do projeto – apresentado pelo deputado Dilmar Dal Bosco (DEM) – do correntão, banido desde 2012 no Código Ambiental.

Crime Ambiental


A técnica considerada “crime ambiental” por lei é usada para desmatar grandes áreas, com retirada rápida de vegetação nativa. Com o uso de uma corrente de aço reforçado presa entre dois tratores, árvores muito grandes são praticamente varridas e arrancadas do solo. O projeto foi apresentado pelo deputado do DEM, Dilmar Dal Bosco, e tem apoio da Associação dos Produtores de Soja e Milho (Aprosoja), que declarou que essa é “uma forma muito prática”. IBAMA disse que animais e plantas estão em risco e entidades em defesa do meio ambiente preparam ação contra a mudança da lei.

Motoserra de Ouro arrependido?

Blairo Maggi

O ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Blairo Maggi (foto brasil247)

O novo ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, senador Blairo Maggi (PP) é o braço político de um império econômico de gigantescas proporções: o grupo André Maggi, sediado em Cuiabá, Mato Grosso, holding que controla quatro divisões de empresas ligadas ao chamado agronegócio. Os Maggi fazem de praticamente tudo, dominando o setor: plantio, processamento e comércio de grãos, produção de sementes, reflorestamento, pecuária, venda de fertilizantes, geração de energia elétrica, administração portuária, transporte fluvial, exportação e importação. 2011 foi um grande ano para as empresas, que, juntas, faturaram US$ 3,78 bilhões.

Governador de Mato Grosso de 2003 a 2010 pelo PR, citado na operação Ararath da PF, apesar de ter anunciado que não disputará mais eleições «assim que terminar meu mandato de senador», parece estar se projetando para disputa à Presidência da República em 2018. Para compor o governo interino de Michel Temer, em maio de 2016, filiou-se ao Partido Progressista.

O “Rei da Soja”, como é conhecido o senador, teria sido responsável por metade da devastação ambiental brasileira entre 2003 e 2004, segundo levantamento do Greenpeace. Quando governador de Mato Grosso, Blairo teria dito a seguinte e espantosa frase: “Esse negócio de floresta não tem futuro”.

Em ocasião de uma entrevista ao New York Times, o então governador declarou descaradamente que «um aumento de 40% no desmatamento da Amazônia não significa nada. Não sinto a menor culpa pelo que estamos fazendo por aqui». Estamos a níveis ainda piores dos da politicamente defunta ex-ministra Kátia Abreu, ela também rainha da motoserra.

Desfiliou-se do Partido Popular Socialista (PPS) por apoiar a reeleição do presidente Lula em 2006 a troco da renegociação de dívidas dos produtores rurais brasileiros com o Banco do Brasil e a prerrogativa de indicar ou vetar nomes para alguns cargos no governo federal, entre outros entendimentos candidamente expostos pelo governador na campanha pela reeleição de Lula. A mesma fonte, Wikipedia, cita porém que …

Logo após sua posse o ambientalista Daniel Nepstad – referência em ecologia ambiental e respeitado em todo o mundo – afirmou que Blairo Maggi fará sim uma agenda ambiental brasileira, vez que, quebrou paradigmas ao sair das críticas que recebeu em 2005 – quando o Greenpeace entregou um prêmio ao empresário denominado “Motosserra de Ouro”.

Fiquemos de olhos bem abertos! O governo Temer não pode ser considerado o “Salvação da Pàtria”, mais parece um Dom Quixote numa insana luta contra os poderes de sempre.

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